Poeta: Fernando da Silva Araújo

Hoje eu acordei triste,
pois lembrei do nosso passado…
E vasculhando minhas recordações,
algumas que já nem lembrava mais,
encontrei fragmentos de memórias
que vivi a teu lado.

Então, me senti inspirada,
e sem demora
escrevi esses versos,
relembrando nossa história…

A quanto tempo
a gente não proseia,
relembrando
os bons momentos que passamos?
Também não lembramos
dos momentos ruins…
porque esses, embora sejam tristes,
são importantes, mesmo assim…

Hoje ainda vivemos
no mesmo fundo de campo,
no ranchito,
quase tapera…
Os mesmos móveis velhitos,
toscos, estropiados…
Sempre com uma esperança
enorme
que tenhamos muita saúde,
de que um dia tudo melhore.

O tempo vai nos mudando,
os poucos
quase não nos falamos
mais…

São coisas da vida,
do dia-a-dia tão corrido,
dos compromissos da lida…

Sempre foi muito difícil
nossa vida,
relembro momentos que vivi:
as amarguras, a fome,
mazelas,
incertezas,
e minhas queridas bonecas..

Não quero que fiques triste,
por não estarmos tão próximos…
não se sinta mal por isso…
O problema é que ainda
sou muito nova.
Enfim,
procuro soluções que não existem,
porque as respostas, talvez,
estejam apenas dentro de mim…

Me lembro bem:
eu cantava….
…passava o tempo todo cantando!
Tu sempre me elogiavas,
e dizia comemorando,
que era esse meu dom.

Mas eu era tão tímida…
(e ainda sou…)
e ficava muito envergonhada…
… que pena.
Não consegui
seguir nessa empreitada.

Lembro das brincadeiras de guria
e de quando ia te acompanhando
nos rodeios e na lida,
nas compras na vendinha
ou quando tu ias solito,
ficava sempre ansiosa, te esperando.
querendo bala ou pirulito.

Quando te via dizer um verso,
eu também decorava
e junto contigo,
me via declamando.

Estávamos sempre juntos….
E ainda estamos,
porque o amor que nos une
é mais forte.

O tempo vai passando…
… hoje somos diferentes,
mudam os nortes,
as pessoas também mudam:
crescem, amadurecem e
envelhecem….
… tudo muda realmente.

E, aquela menininha
que te acompanhava,
sempre no teu costado,
já não existe mais…
… ficou no passado…

E tu, meu pai,
esquece, às vezes, que cresci,
que já sou menina-moça,
e que já não estou
o tempo todo a teu lado.

… Não chora, eu te peço…

…Pois o que eu não te disse,
é que aquela guria franzina,
trigueira, sapeca e faceira,
… está aqui, inteira,
bem escondida
nas entrelinhas deste poema!

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