Poeta: Douglas Diehl Dias

Correu na boca do povo,
nos balcões de pulperia…
Deu na rádio… no jornal…
mas nada se descobria.
Não se sabe o paradeiro,
pois de fato ninguém viu;
têm cartazes pela praça:
“PROCURA-SE O BUGIO”.

Nas rodas de mate doce
as patroas têm falado:
– “Se fosse nós no comando,
total que já tinha achado!!!”.
Eu aposto que este cuera
– teatino barbaridade –
se enredou nalgum cambicho
lá nas luzes da cidade…

Quando deram por sumido,
já fazia uns quatro dias
que não tinha movimento
dentro da casa vazia.
Nenhum bilhete ou aviso…
Mistério no vizindário…
Até que veio o Faéco
e chamou o comissário!

Ficou um copo de vinho
pela metade na mesa…
Um rádio chiando baixo…
Na sala uma luz acesa…
De certo saiu com pressa
no escuro da hora morta;
ninguém lhe viu de partida
e sequer “cadeou” a porta!

O Bugio era afamado
nos bailes de antigamente.
Em galpão que ele tocava
sempre “entupia” de gente…
Mas chegaram outras modas,
novos sons e novas danças;
e o Bugio já não tocava
nem em festa de criança…

… E talvez seja por isso
que o Bugio quis ir embora;
por mais santo que se seja,
só faz milagre um de fora!
Nunca mais lhe convidaram
pra um baile… um casamento…
que até mesmo sua presença
se perdeu no esquecimento…

Formou-se uma comitiva
para campear o Bugio
nos matos, furnas e cerros;
também na costa do rio.
Até porque, certa feita,
(me lembro bem desta cena)
ele cruzou o Jacuí
no rastro duma morena!!!
Juntei maneia, sovéu,
bodoque no cinturão,
e encilhei meu petiço
pra ir atrás do fujão.
Também levei a cordeona,
atada firme nos tentos,
pra entreter a milicada
se acaso um acampamento!
Já vinham uns desistindo,
outros dizendo “morreu”;
quando apeei na tapera
e quem achou ele fui eu!
Dormia o sono borracho
depois de dias de festa;
trago e dança à moda antiga
num bailongo na floresta.
Ainda quis briga comigo;
mordeu o petiço nas “pata”…
Mas trouxe ele pra casa
maneado dentro da gaita!
Cheguei no povo faceiro,
ganhando aplausos das donas,
e o Bugio vinha roncando
no fole da minha cordeona!!!

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